A Observador esteve em direto, na semana passada, do Parlamento para transmitir a apresentação do programa de governo.
Até aí tudo bem, para uma rádio de informação.
O problema é que a Observador fez estas emissões tal como a TSF e a Antena 1 sempre as fizeram e continuam a fazer.
Mais do mesmo, na minha opinião.
Estamos a falar de diretos quase sem mediação jornalística, sem contextualização, pouco radiofónicos, no sentido em que há sempre mais gente a entrar e a sair da emissão do que aqueles que ficam duas ou três horas seguidas a ouvir.
Falo numa oportunidade perdida no sentido em que a Observador poderia 'beneficiar' do que a concorrência faz... para fazer diferente; deixá-los com essas emissões 'pesadas' e apostar numa intervenção mais jornalística, com mais debate, com mais contexto, com avaliação em tempo real do que é dito.
(no fundo é como fazer um relato de futebol só com o relatador, durante 90 minutos, ou ter, além do relatador, pelo menos um comentador, mais um para arbitragem e ainda e um repórter de pista; são emissões mais ricas, mais vivas, mais interessantes)
Pela primeira vez existe um projeto radiofónico claramente alternativo à TSF, o Observador. Neste blogue vou juntando ideias sobre as duas rádios. PS - fui jornalista da TSF durante 25 anos.
Monday, November 4, 2019
Wednesday, October 16, 2019
O que significa a Observador ter 1% de audiência?
Desconheço os objetivos de audiência dos responsáveis da Observador mas imagino que os tenham. Nesse contexto não será muito disparatado pensar que obter 1% será a primeira meta.
Em quanto tempo?
Estimo que possam demorar dois anos a atingir esse objetivo (mantendo os emissores atuais).
Se o conseguirem antes será uma prova de sucesso.
Se demorar muito mais talvez tenham de repensar o projeto.
(admito que 1% ainda não viabilizará financeiramente o investimento, mas abre boas portas)
A questão é outra: de onde virá esse 1%?
Honestamente não acredito na captação de novos públicos (gente que não ouve rádio e que passa a ouvir) e também não me parece lógico esses ouvintes virem de rádios musicais.
Mais viável será pensar que poderão roubar 0,5% à TSF, 0,25% à Antena 1 e 0,25% à Renascença (é um exercício especulativo, como se percebe).
É por estas e por outras que a TSF é a que mais atenta deve estar ao que a Observador está a fazer
Em quanto tempo?
Estimo que possam demorar dois anos a atingir esse objetivo (mantendo os emissores atuais).
Se o conseguirem antes será uma prova de sucesso.
Se demorar muito mais talvez tenham de repensar o projeto.
(admito que 1% ainda não viabilizará financeiramente o investimento, mas abre boas portas)
A questão é outra: de onde virá esse 1%?
Honestamente não acredito na captação de novos públicos (gente que não ouve rádio e que passa a ouvir) e também não me parece lógico esses ouvintes virem de rádios musicais.
Mais viável será pensar que poderão roubar 0,5% à TSF, 0,25% à Antena 1 e 0,25% à Renascença (é um exercício especulativo, como se percebe).
É por estas e por outras que a TSF é a que mais atenta deve estar ao que a Observador está a fazer
Thursday, October 10, 2019
Uma (parte da) manhã a ouvir a Observador
- falta informação desportiva (embora a informação desportiva nas rádios portuguesas seja muito fraca, baseada em pessoas que têm opiniões...; é, sem dúvida, possível fazer melhor, sem andar atrás de treinos e declarações vazias);
- apenas ouvi dois anúncios (Santander e Ponto Verde/reciclagem), o que permite ter uma antena arejada e incluir algumas músicas;
- não há rubricas patrocinadas, nomeadamente daquelas que são abundantes na TSF e com pouco ou nenhum interesse;
- em 2019 não faz qualquer sentido ter rubricas via telefone (ainda por cima com som do 'velho' telefone), muito mais agora que a rádio tem condições para ser ouvida no carro;
- os diálogos parecem estar mais afinados, o que é normal, embora fique várias vezes a sensação de artificialidade;
- as principais notícias são repetidas vezes sem conta, entre as horas, meias horas e quartos de hora (apenas se justifica quando são notícias que têm um grande impacto).
Em resumo, apesar das imperfeições detetadas, a Observador é uma rádio que aposta numa antena 'limpinha' e fácil (muitas rubricas de fait divers, ligeiras, divertidas) de ouvir.
Informação easy listening?
- apenas ouvi dois anúncios (Santander e Ponto Verde/reciclagem), o que permite ter uma antena arejada e incluir algumas músicas;
- não há rubricas patrocinadas, nomeadamente daquelas que são abundantes na TSF e com pouco ou nenhum interesse;
- em 2019 não faz qualquer sentido ter rubricas via telefone (ainda por cima com som do 'velho' telefone), muito mais agora que a rádio tem condições para ser ouvida no carro;
- os diálogos parecem estar mais afinados, o que é normal, embora fique várias vezes a sensação de artificialidade;
- as principais notícias são repetidas vezes sem conta, entre as horas, meias horas e quartos de hora (apenas se justifica quando são notícias que têm um grande impacto).
Em resumo, apesar das imperfeições detetadas, a Observador é uma rádio que aposta numa antena 'limpinha' e fácil (muitas rubricas de fait divers, ligeiras, divertidas) de ouvir.
Informação easy listening?
Monday, September 30, 2019
A primeira grelha da TSF pós-Observador
A Observador nasceu há 3 meses, estava a TSF a preparar-se para as férias (um período sempre doloroso para esta rádio, por causa da falta de meios humanos, como se vê pelo que sucede com o Fórum).
A haver uma resposta - e aqui posicionei a Observador claramente como concorrente da TSF - ela teria de ser dada agora, com 'a grelha de setembro', ainda que - neste particular - a cobertura das eleições legislativas altere um pouco o cenário.
A TSF fez algumas alterações e imagino que, pelo menos indiretamente, visem um reforço do produto, tendo em conta a existência de concorrência no mesmo público alvo.
1) Trouxe para a manhã o modelo que existia ao almoço, com um 'líder de antena' (que faz a gestão de alguns espaços e personaliza o espaço), embora não seja muito claro, para o ouvinte, o ganho;
2) Mais importante, tenta trazer mais conteúdos informativos para um espaço que estava 'saturado' com conteúdos patrocinados.
Do meu ponto de vista, se é verdade que esses conteúdos patrocinados, muitos deles com pouco ou nulo interesse para a generalidade dos ouvintes, ajudaram a garantir a subsistência da rádio, não será menos certo que são os responsáveis pela erosão das audiências - não há muitos anos a TSF andava pelos 4% (ver gráfico).
A TSF não vai ter mais jornalistas e dificilmente conseguirá 'comprar' melhores conteúdos. A resposta terá portanto de ser interna, deixando aqui três hipóteses de caminho:
- conseguir transportar os conteúdos patrocinados para outras horas e espalhados pelo dia (em vez da concentração na manhã);
- reabilitação da mais-valia que podem ser os noticiários da meia hora (hoje reduzidos a pouco mais do que títulos);
- mais agressividade editorial e mais rapidez de reação à atualidade;
A Observador observa...
A haver uma resposta - e aqui posicionei a Observador claramente como concorrente da TSF - ela teria de ser dada agora, com 'a grelha de setembro', ainda que - neste particular - a cobertura das eleições legislativas altere um pouco o cenário.
A TSF fez algumas alterações e imagino que, pelo menos indiretamente, visem um reforço do produto, tendo em conta a existência de concorrência no mesmo público alvo.
1) Trouxe para a manhã o modelo que existia ao almoço, com um 'líder de antena' (que faz a gestão de alguns espaços e personaliza o espaço), embora não seja muito claro, para o ouvinte, o ganho;
2) Mais importante, tenta trazer mais conteúdos informativos para um espaço que estava 'saturado' com conteúdos patrocinados.
Do meu ponto de vista, se é verdade que esses conteúdos patrocinados, muitos deles com pouco ou nulo interesse para a generalidade dos ouvintes, ajudaram a garantir a subsistência da rádio, não será menos certo que são os responsáveis pela erosão das audiências - não há muitos anos a TSF andava pelos 4% (ver gráfico).
A TSF não vai ter mais jornalistas e dificilmente conseguirá 'comprar' melhores conteúdos. A resposta terá portanto de ser interna, deixando aqui três hipóteses de caminho:
- conseguir transportar os conteúdos patrocinados para outras horas e espalhados pelo dia (em vez da concentração na manhã);
- reabilitação da mais-valia que podem ser os noticiários da meia hora (hoje reduzidos a pouco mais do que títulos);
- mais agressividade editorial e mais rapidez de reação à atualidade;
A Observador observa...
Friday, August 30, 2019
Uma tarde de notícias (poucas)
Tenho estado a ouvir a Observador desde o fim do almoço.
Basicamente são sempre as mesmas notícias, o nível de repetição é muito grande.
Este também é um problema histórico na TSF, mas a TSF apresenta uma vantagem: como tem mais notícias (por regra, os noticiários são maiores), a repetição é menos evidente.
PS - Há conhecimento de vespas asiáticas em todo o país. Imagino que já deixou de ser notícia. Um ninho foi descoberto em Lisboa. A Observador elevou o assunto a manchete.
Basicamente são sempre as mesmas notícias, o nível de repetição é muito grande.
Este também é um problema histórico na TSF, mas a TSF apresenta uma vantagem: como tem mais notícias (por regra, os noticiários são maiores), a repetição é menos evidente.
PS - Há conhecimento de vespas asiáticas em todo o país. Imagino que já deixou de ser notícia. Um ninho foi descoberto em Lisboa. A Observador elevou o assunto a manchete.
Monday, July 15, 2019
Domingo, 14 de julho, à tarde
Final do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, final de Wimbledon e, uma hora mais tarde, primeiro jogo da seleção sub19 no Europeu de futebol.
Antena 1 com emissão especial.
TSF e Observador com emissão normal.
Duas notas:
- É por estas e por outras que Observador e TSF não ganham ouvintes à Antena 1;
- estamos em período de férias, mas uma tarde como esta (ainda por cima com milhares nos carros, a passear ou vindos da praia) acontece raramente. Tinha sido uma boa ocasião para a Observador se mostrar - sobretudo tendo em conta que, dias antes, fez um especial sobre o jogo João Sousa-Nadal, no mesmo torneio de ténis.
Antena 1 com emissão especial.
TSF e Observador com emissão normal.
Duas notas:
- É por estas e por outras que Observador e TSF não ganham ouvintes à Antena 1;
- estamos em período de férias, mas uma tarde como esta (ainda por cima com milhares nos carros, a passear ou vindos da praia) acontece raramente. Tinha sido uma boa ocasião para a Observador se mostrar - sobretudo tendo em conta que, dias antes, fez um especial sobre o jogo João Sousa-Nadal, no mesmo torneio de ténis.
Friday, July 12, 2019
Ganhar ouvintes a quem?
Não acredito que a Observador vá ganhar ouvintes a não ouvintes. Dificilmente, parece-me, a nova rádio conseguirá apanhar quem não houve rádio (ou deixou de ouvir) ou só houve rádios de música.
Restam aqueles que ouvem a TSF, a Antena 1 e a Renascença - o que significa pouco mais de 10%.
Apesar de apresentar um 'produto' que concorre diretamente com a TSF, há pontos de contacto com a Antena 1 e a RR.
Destas três, a TSF parece-me a mais frágil, muito por culpa dos compromissos comerciais transformados em rubricas patrocinadas, de interesse duvidoso para a generalidade dos ouvintes e que passam, muitas vezes, em horário nobre.
A Renascença está em processo de transformação e é uma incógnita, mas quer-me parecer que os seus ouvintes serão um pouco mais velhos do que aqueles que a Observador procura.
Quanto à Antena 1, tem (muito) mais meios e uma programação muito forte. Dificilmente a Anten1 perderá ouvintes.
Outro critério: a rede de emissores.
A Observador parte quase do zero e, dessas três, a única que não é nacional é a TSF (falha a zona sul).
Conseguirá a Observador ter 1% no final do primeiro ano, emitindo em Lisboa e Porto?
Restam aqueles que ouvem a TSF, a Antena 1 e a Renascença - o que significa pouco mais de 10%.
Apesar de apresentar um 'produto' que concorre diretamente com a TSF, há pontos de contacto com a Antena 1 e a RR.
Destas três, a TSF parece-me a mais frágil, muito por culpa dos compromissos comerciais transformados em rubricas patrocinadas, de interesse duvidoso para a generalidade dos ouvintes e que passam, muitas vezes, em horário nobre.
A Renascença está em processo de transformação e é uma incógnita, mas quer-me parecer que os seus ouvintes serão um pouco mais velhos do que aqueles que a Observador procura.
Quanto à Antena 1, tem (muito) mais meios e uma programação muito forte. Dificilmente a Anten1 perderá ouvintes.
Outro critério: a rede de emissores.
A Observador parte quase do zero e, dessas três, a única que não é nacional é a TSF (falha a zona sul).
Conseguirá a Observador ter 1% no final do primeiro ano, emitindo em Lisboa e Porto?
Wednesday, July 10, 2019
Observador sin.. energia
Uma das coisas mais surpreendentes na rádio Observador é a falta de ligação ao site do... Observador.
Acho que não estou a exagerar se disser que há mais interligação entre rádio e site na TSF do que no Observador.
Sendo o Observador um site, não se percebe.
Já ouvi muitas horas de emissão e não me lembro de ouvir na antena da rádio remeter para histórias publicadas no site ou informar que podemos encontrar mais desenvolvimento no site do Observador - considero isso uma mais valia, tanto mais que a escuta FM está muito limitada.
As sinergias fazem-se quase só pela utilização dos jornalistas do Observador nas várias rubricas da rádio, mas parece uma coisa muito hermética, sem dinâmica (como se cada jornalista fizesse a sua rubrica e considerasse que estava terminada a sua 'obrigação' para com o projeto da rádio).
Outra coisa: a rádio não remete para os seus próprios programas em arquivo no site (que são sempre uma mais valia, para quem não ouviu ou quer reouvir, sobretudo enquanto não tem podcasts).
Em resumo: dá ideia de que os dois meios procuram criar uma identidade própria, sem interligação, sendo que, ainda assim, há mais 'empenho' do site na rádio do que vice-versa.
PS - a rádio também parece não ter (ainda?) uma estratégia para as redes sociais.
Acho que não estou a exagerar se disser que há mais interligação entre rádio e site na TSF do que no Observador.
Sendo o Observador um site, não se percebe.
Já ouvi muitas horas de emissão e não me lembro de ouvir na antena da rádio remeter para histórias publicadas no site ou informar que podemos encontrar mais desenvolvimento no site do Observador - considero isso uma mais valia, tanto mais que a escuta FM está muito limitada.
As sinergias fazem-se quase só pela utilização dos jornalistas do Observador nas várias rubricas da rádio, mas parece uma coisa muito hermética, sem dinâmica (como se cada jornalista fizesse a sua rubrica e considerasse que estava terminada a sua 'obrigação' para com o projeto da rádio).
Outra coisa: a rádio não remete para os seus próprios programas em arquivo no site (que são sempre uma mais valia, para quem não ouviu ou quer reouvir, sobretudo enquanto não tem podcasts).
Em resumo: dá ideia de que os dois meios procuram criar uma identidade própria, sem interligação, sendo que, ainda assim, há mais 'empenho' do site na rádio do que vice-versa.
PS - a rádio também parece não ter (ainda?) uma estratégia para as redes sociais.
Friday, July 5, 2019
O papel dos animadores na Observador
Pela escuta da primeira semana de emissões percebe-se que a Observador atribui aos seus animadores uma importãncia diferente da que outras rádios (não musicais) fazem.
Os animadores leem uma notícia (cultura, fait divers, ciência) no início dos noticiários e 'conversam' com os jornalistas durante os noticiários.
A ideia é boa (em Portugal é caso único) mas tem riscos.
No fundo, estes animadores estão a ler perguntas que os jornalistas escreveram para esse objetivo. O resultado até agora é duvidoso, porque muitas vezes parece artificial - o animador faz uma pergunta ao editor do noticiário e ele tem a resposta na ponta da língua?? Talvez seja uma situação a melhorar.
Entre noticiários o papel dos animadores ainda não é muito claro. Se o que está em antena entre as 13h e as 17h tem uma presença ativa, nem que seja apresentando as músicas (embora sejam dispensáveis frases como 'estou na sua rádio' ou 'espero que esteja tudo bem consigo'), a que o entecede fica desaparecida durante demasiado tempo.
Parece haver uma ideia de não poluir a antena com lugares-comuns.
Voltarei ao assunto.
Os animadores leem uma notícia (cultura, fait divers, ciência) no início dos noticiários e 'conversam' com os jornalistas durante os noticiários.
A ideia é boa (em Portugal é caso único) mas tem riscos.
No fundo, estes animadores estão a ler perguntas que os jornalistas escreveram para esse objetivo. O resultado até agora é duvidoso, porque muitas vezes parece artificial - o animador faz uma pergunta ao editor do noticiário e ele tem a resposta na ponta da língua?? Talvez seja uma situação a melhorar.
Entre noticiários o papel dos animadores ainda não é muito claro. Se o que está em antena entre as 13h e as 17h tem uma presença ativa, nem que seja apresentando as músicas (embora sejam dispensáveis frases como 'estou na sua rádio' ou 'espero que esteja tudo bem consigo'), a que o entecede fica desaparecida durante demasiado tempo.
Parece haver uma ideia de não poluir a antena com lugares-comuns.
Voltarei ao assunto.
João Miguel Santos - uma boa presença.
Thursday, July 4, 2019
O que a Observador não tem
Analisando a primeira semana de emissões, é possível perceber que a Observador fez as suas opções, recusando alguns produtos/conteúdos clássicos na programação radiofónica;
- o trânsito é o mais evidente (e discutível). Acredito que quem está no carro ainda precisa dessa informação. O que a Observador está a dizer é que não valoriza a escuta no carro?
- informação de bolsa (ou especializada em economia), uma área apetecível para os anunciantes;
- fóruns de ouvintes (acredito que a opção teve a ver diretamente com o facto de, neste capítulo, se distanciarem da TSF e da Antena 1);
- raros spots promocionais (sejam eles meros jingles de antena sejam de programas e rubricas);
- noticiários temáticos, nomeadamente de desporto (nem, deduzo, relatos de futebol);
- interligação com o site (confesso, é uma grande surpresa);
Monday, July 1, 2019
A música (muito igual à TSF)
Digamos que, pelas primeiras escutas, a programação da Observador parece desequlibrada entre texto e voz: tem algumas horas só de palavra e muitas horas quase só de música (as tardes, por exemplo, para não falar do fim de semana).
Aqui reside, penso, um dos problemas: o animador não parece ter qualquer papel a desempenhar, sucedendo-se músicas atrás de músicas, muitas vezes sem apresentação mínima, sequer; aliás por vezes parece que não está ninguém em estúdio... O futuro da rádio está no que se passa entre as músicas...
Outro problema que identifiquei nesta altura:várias músicas são cortadas à faca para entrar o sinal horário. É possível fazer muito melhor.
Quanto à escolha da playlist, parece ser muito idêntica à da TSF, o que por um lado confirma a 'colagem' e por outro não ajuda à criação de uma identidade própria.
Aqui reside, penso, um dos problemas: o animador não parece ter qualquer papel a desempenhar, sucedendo-se músicas atrás de músicas, muitas vezes sem apresentação mínima, sequer; aliás por vezes parece que não está ninguém em estúdio... O futuro da rádio está no que se passa entre as músicas...
Outro problema que identifiquei nesta altura:várias músicas são cortadas à faca para entrar o sinal horário. É possível fazer muito melhor.
Quanto à escolha da playlist, parece ser muito idêntica à da TSF, o que por um lado confirma a 'colagem' e por outro não ajuda à criação de uma identidade própria.
Friday, June 28, 2019
Uma ameaça para a TSF?
A Observador procura o mesmo público da TSF (jovens-adultos, classes A, B e C1, quadros médios e superiores) e por isso são concorrentes.
A Observador é uma rádio de informação com notícias de meia em meia hora e horas sem música, por isso são concorrentes.
Dito isto, a Observador parte com duas desvantagens (além da notoriedade):
- a redação é menor do que a da TSF (apesar da soma da rádio com os jornalistas do site resultar em mais jornalistas do que os da TSF, não acredito que os do site 'pensem' na rádio - mas veremos)
- a rede de emissores é, mesmo quando surgirem no Porto, e continuará a ser, menor (apesar da escuta online, no carro isso ainda não é uma alternativa).
A Observador será uma ameaça à TSF?
No imediato não acredito.
Se tudo correr muito bem, a Observador precisará de um a dois anos para ter 1%.
Se esse 1% for conseguido à custa da TSF, isso representará um problema para a TSF.
A TSF tem pela primeira vez concorrência.
Há novos desafios pela frente, penso.
A Observador é uma rádio de informação com notícias de meia em meia hora e horas sem música, por isso são concorrentes.
Dito isto, a Observador parte com duas desvantagens (além da notoriedade):
- a redação é menor do que a da TSF (apesar da soma da rádio com os jornalistas do site resultar em mais jornalistas do que os da TSF, não acredito que os do site 'pensem' na rádio - mas veremos)
- a rede de emissores é, mesmo quando surgirem no Porto, e continuará a ser, menor (apesar da escuta online, no carro isso ainda não é uma alternativa).
A Observador será uma ameaça à TSF?
No imediato não acredito.
Se tudo correr muito bem, a Observador precisará de um a dois anos para ter 1%.
Se esse 1% for conseguido à custa da TSF, isso representará um problema para a TSF.
A TSF tem pela primeira vez concorrência.
Há novos desafios pela frente, penso.
Thursday, June 27, 2019
Observador - 1º dia: a TSF levezinha
Notas sobre o primeiro dia de escuta da Observador:
- há sinais de 'colagem' à TSF (noticiários a começar aos 57'', expressões como 'hora informativa', noticiarios com títulos antes e depois; noticiários com 12 minutos às 16 horas!)
- mas também há sinais de descolagem (uma manhã com pelo menos três pessoas em estúdio, fomentando a conversa e a 'boa disposição'; muita conversa entre jornalista e animador, por vezes soando artificialmente; sem trãnsito);
- relativamente à linha musical, é muito cedo para perceber; de manhã houve apenas Samuel Úria (grande ideia), mas durante o dia tanto se ouviu Ed Sheeran como Marlon Williams;
- rubricas como 'termómetro das celebridades' parecem apontar para uma rádio menos engravatada do que a TSF (um problema tradicional desta rádio);
- neste primeiro dia houve reportagem em quase todos os noticiários, por vezes em direto. Uma aposta para manter?
Em resumo, a Observador parece a TSF sem gravata, feita num dia de verão. Mas os primeiros dias nunca são a melhor forma de avaliar. A Observador quase não tem publicidade (o que se percebe), o que a liberta para criar conteúdos livremente, mas mais cedo ou mais tarde vai precisar de ter.
Genericamente gostei do que ouvi, mas ouvir às cinco da tarde as mesmas notícias que ouvi antes do almoço (Maria Matias recusada para liderar grupo no Parlamento Europeu) não é um bom sinal.
- há sinais de 'colagem' à TSF (noticiários a começar aos 57'', expressões como 'hora informativa', noticiarios com títulos antes e depois; noticiários com 12 minutos às 16 horas!)
- mas também há sinais de descolagem (uma manhã com pelo menos três pessoas em estúdio, fomentando a conversa e a 'boa disposição'; muita conversa entre jornalista e animador, por vezes soando artificialmente; sem trãnsito);
- relativamente à linha musical, é muito cedo para perceber; de manhã houve apenas Samuel Úria (grande ideia), mas durante o dia tanto se ouviu Ed Sheeran como Marlon Williams;
- rubricas como 'termómetro das celebridades' parecem apontar para uma rádio menos engravatada do que a TSF (um problema tradicional desta rádio);
- neste primeiro dia houve reportagem em quase todos os noticiários, por vezes em direto. Uma aposta para manter?
Em resumo, a Observador parece a TSF sem gravata, feita num dia de verão. Mas os primeiros dias nunca são a melhor forma de avaliar. A Observador quase não tem publicidade (o que se percebe), o que a liberta para criar conteúdos livremente, mas mais cedo ou mais tarde vai precisar de ter.
Genericamente gostei do que ouvi, mas ouvir às cinco da tarde as mesmas notícias que ouvi antes do almoço (Maria Matias recusada para liderar grupo no Parlamento Europeu) não é um bom sinal.
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Debates em direto da AR: uma oportunidade perdida
A Observador esteve em direto, na semana passada, do Parlamento para transmitir a apresentação do programa de governo. Até aí tudo bem, par...
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- falta informação desportiva (embora a informação desportiva nas rádios portuguesas seja muito fraca, baseada em pessoas que têm opiniões.....
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A Observador nasceu há 3 meses, estava a TSF a preparar-se para as férias (um período sempre doloroso para esta rádio, por causa da falta de...
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Digamos que, pelas primeiras escutas, a programação da Observador parece desequlibrada entre texto e voz: tem algumas horas só de palavra e ...


